Economia Estado de Minas

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Loucos pela Web

 
A internet é uma mania entre os executivos brasileiros.
Conheça as dicas daqueles que passam
horas diante do computador
 

 
Idamaris Félix

  
A vida de hoje sem controles remotos e computadores equivaleria à idade da pedra. Para os desavisados, a observação pode parecer um grande exagero. Mas é justamente esse o pensamento de alguns empresários mineiros que vivem e sobrevivem manipulando um mouse. Sávio Mattar, Nicholas Srica, Silvana Moysés e Rodrigo Bressane fazem parte de uma trupe que não tem pesadelos diante do computador. Pelo contrário. Não conseguem enxergar suas vidas sem eles. Muito menos sem a internet, a rede mundial de computadores, que começou a se popularizar no Brasil há menos de cinco anos e já cativou mais de 5 milhões de usuários.
 

Nélio Rodrigues (1º Plano)

Os executivos Nicolas Srica (à esquerda) e Sávio Mattar passam horas e horas conectados à rede mundial de computadores

  São profissionais que não se consideram viciados na rede, embora virem noites e noites em frente às máquinas, vivendo em um mundo que pode parecer individualista. Porém, não deixam de fazer nada de diferente em função da internet. Mas também não se sentem confortáveis quando passam um dia sem dar uma olhada nas novidades online. Uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria PriceWaterhouseCoopers traz uma surpresa para muita gente: a América Latina é a região em que os executivos mais navegam pela internet. Os executivos latino-americanos navegam na web cerca de 13,6 dias por ano. Os americanos, asiáticos e europeus, por sua vez, “surfam”, respectivamente, 13,3 dias, 10,9 e 9,4, em média por ano.

  Uma das primeiras coisas que Sávio Mattar, proprietário da Rádio Beep, faz quando chega às 8h em seu escritório é ligar o seu computador e conectar-se à internet. Até as 20h, o mouse é seu companheiro inseparável. Ele não tem como escapar dessa rotina, já que é obrigado a se manter superinformado, principalmente, sobre equipamentos, serviços de fornecedores e concorrentes. “Só assim consigo ter um balizamento do que as empresas estão oferecendo e trilhar um caminho diferenciado. Se não fosse a internet, estaria fora do mundo e incapacitado para tomar decisões em relação a investimentos”.

  Mas não é só no escritório que Mattar fica atento ao computador. Quando viaja, seja por qualquer motivo, o notebook tem lugar cativo na bagagem. Caso contrário o executivo mineiro vira um peixe fora d’água, completamente desconectado do mundo. “Hoje não consigo mais levar uma vida sem o computador, que só me traz prazer. Fico doente longe dele, por isso não abro mão de carregar a máquina mesmo quando vou para a praia”, admite o internauta que recebe 25 e-mails diariamente e não deixa nenhum sem resposta.

  Todos os dias, Sávio Mattar ainda tem fôlego suficiente para navegar por mais duas
horas em casa, sempre em companhia dos dois filhos que já se conectam sozinhos à internet. Para atender à demanda da família, instalou duas máquinas em casa. Nesses momentos, o empresário esquece um pouco do trabalho e relaxa viajando pelas galáxias. “Adoro astronomia e em frente ao computador consigo dar uma deliciosa volta fora da Terra, sem sair do lugar”. Com o mouse, além dos sites de astronomia, ele adora clicar serviços do www.mybookmarks.com, onde estão guardados seus endereços favoritos. Fora isso, tem 2,5 mil sites – divididos em 25 categorias – no seu bookmark pessoal.

  
O diretor de Vendas da Telemig Celular, Nicholas Srica, nunca teve resistência à modernidade. Por isso mesmo, a internet entrou na sua vida de forma muito simples há algum tempo. Em sua sala de trabalho, obviamente com o computador aberto, admite que a internet é sinônimo de produtividade aliada a praticidade. “Sou viciado nos assuntos que me ajudam a aumentar a capacidade de produzir e valorizar o tempo livre. Se, por exemplo, preciso achar um amigo em São Paulo que tenha mudado o número do telefone, eu vou direto ao site da Telesp e encontro lá o que procuro sem precisar ficar atrás de um e de outro para conseguir”.

  Entre trabalho e casa, Srica navega pelo menos três horas por dia, inclusive nos fins de semana. Quando não consegue, sente muita falta. “É difícil passar o dia sem receber informações. Por isso, recorro à internet onde busco notícias do dia ligadas, principalmente, às áreas de economia, esporte e política”.

  Durante viagens, a serviço ou lazer, ele nunca deixa para trás o seu notebook. “Assim que me instalo em um hotel, conecto o aparelho, entro na rede da empresa, respondo todos os e-mails e faço tudo que tenho que fazer, com o maior prazer do mundo”, comenta Srica, para quem o único “porém” relacionado à internet responde pelo nome de velocidade: “O sistema ainda deixa a desejar, é lento, mas temos a expectativa de melhora para os próximos meses”.

  Para facilitar a vida, o diretor de Vendas da Telemig Celular se organizou dividindo os sites em seis categorias que ele chama de finanças pessoais, ferramentas de produtividade, família, gestão de carreira, saúde e entretenimento. “É muito mais prático e representa mobilidade total”, arremata.

  Conversar sobre internet com a empresária do setor financeiro Silvana Moysés é o mesmo que dar uma bala para uma criança. O assunto a deixa ainda mais extrovertida. Usuária assídua da rede mundial de computadores, nas primeiras horas do dia, após ler os principais jornais do País, ela começa a manipular o mouse em busca de informações relacionadas ao movimento de todas as bolsas de valores. Na rede, termina de ler o noticiário do dia. “É tudo muito mais ágil, e acabo ganhando mais tempo para administrar tudo”, avalia Silvana, para quem a internet é como uma âncora que a deixa sintonizada com o mundo.

  A empresária nunca fez cursos para entender de computador. “Sou autodidata. Nunca tive resistência, mesmo porque já trabalhei em uma empresa que foi pioneira em Belo Horizonte no setor de informática, onde fui aprendendo com os colegas. Hoje, domino muito bem o computador”. Silvana garante que consegue ficar um dia sem navegar, principalmente nos fins de semana, quando prefere dar uma esticada pelos bares da cidade, cinema ou casa de amigos. Jura que não é uma internauta que abre mão de um bom livro por causa da internet. “Nada substitui o prazer de estar com um livro nas mãos, de virar a página, viajar na história”.

  Uma coisa que ela julga sensacional, proporcionada pela rede, é poder conversar simultaneamente
com duas amigas – uma de São Paulo e outra dos Estados Unidos – quase toda noite. “É bárbaro ter esta agilidade na vida. Hoje, com celular e internet à disposição, todo mundo é ‘achável’. Não existe mais aquela velha desculpa: procurei e não lhe encontrei”.

  
A internet entrou na vida do jornalista Rodrigo Bressane
quando ele ainda freqüentava a universidade. Foi a época em que, junto com colegas, elaborou um projeto editorial e gráfico para uma revista esportiva. Desistiu da idéia por causa do alto custo e não teve nem tempo para lamentar porque logo surgiu a internet. Retomou o projeto e o jogou em um site, a custo zero. “Varava a madrugada pesquisando tudo sobre esporte para atualizar a ‘revista’. Valeu a pena, principalmente porque em 1996 nosso site foi classificado como um dos três melhores do País em um concurso promovido por uma revista especializada. A experiência foi amadora e já deletamos tudo”.

Nélio Rodrigues (1º Plano)

Rodrigo Bressane, criador do site Aleluia.com.br: “Minha relação com
a rede é profissional”

  Apaixonado pela rede, Bressane largou tudo que fazia no Brasil no ano passado e seguiu para a Alemanha para se especializar na internet. Ficou oito meses freqüentando as salas de aula do Instituto Media Village Europe e voltou com uma bagagem maior, com grandes novidades tecnológicas. Ganhou experiência com projetos coorporativos e hoje investe em cheio na área prestando serviços para empresas alemãs que atuam, inclusive, no Brasil. Isso sem abrir mão de um projeto pessoal que foi a criação da Aleluia.com.br.

  Rodrigo Bressane dedica, no mínimo, quatro horas diárias à internet. Adora navegar pelos sites de noticiário e revela que não consegue ficar longe do computador um dia sequer. “Mas já passei da fase da empolgação. Minha relação com a rede é profissional e não abro mão do lazer por causa dela. Tirar a internet de minha vida não é o mesmo que tirar meu almoço”, brinca o jornalista-empresário diante do seu computador e se preparando para responder os primeiros dos 100 e-mails que havia recebido no dia.

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