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De cara nova

 
O Brasil já é o segundo maior mercado mundial para cirurgias plásticas, o que demonstra o vigor da indústria da vaidade no País – feminina ou masculina

Emmanuel Pinheiro/ 1º Plano          

A professora Rosângela Sadi é aliada do bisturi: 
depois das plásticas na face e nos seios, ela planeja 
fazer lipoaspiração no abdome 

Daniela Mata Machado

   Os norte-americanos ainda são os campeões do bisturi, mas o Brasil já é o segundo país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. De acordo com as informações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), somente no ano passado foram 300 mil cirurgias feitas no Brasil – em 1994 o número era três vezes menor. A explicação para o crescimento dessa procura pode estar no preço: as cirurgias estão mais baratas que antigamente (variam, em média, de R$ 2 mil a R$ 8 mil) e o pagamento pode ser parcelado em várias vezes. Mas o presidente da SBCP em Minas, Ronan Horta, acredita que há também um outro motivo impulsionando as pessoas para as clínicas dos cirurgiões plásticos: “Atualmente, a juventude e a boa aparência são pré-requisitos para arrumar emprego e continuar empregado”.

   Isso talvez explique outro dado curioso do levantamento feito pela SBCP: o crescimento da procura masculina pelas cirurgias corretivas. Em 1994, apenas 5% das cirurgias plásticas realizadas no Brasil foram feitas em homens. Ano passado, o percentual já havia crescido para 30%. O médico Ronan Horta conta que, a partir dos 45 anos, os homens começam a “ficar tensos” com a própria aparência. E garante: “Fernando Henrique, Paulo Maluf, Álvaro Dias, Figueiredo... todos fizeram cirurgia plástica”. Segundo ele, a cirurgia mais procurada pelos homens é aquela que levanta a pálpebra. Em seguida, vêm a cirurgia de papada, a lipoaspiração de abdome e o micro-implante capilar (para resolver o problema da calvície).

   Entre as mulheres, as cirurgias de mama sempre foram as líderes na procura. Só que, até bem pouco tempo, quase todas queriam diminuir o tamanho dos seios. E com a recente mudança do padrão de beleza nacional – o “modelito” Pamela Anderson de uns tempos para cá anda fazendo o maior sucesso entre os brazucas –, já houve um crescimento de 30% na procura pelas cirurgias para aumentar as mamas através de próteses de silicone. Além das cirurgias de mama, as outras campeãs na preferência feminina são as lipoaspirações e lipoesculturas e as cirurgias de face.

  
Outro dado digno de nota: quem pensa que apenas as mulheres mais velhas vão atrás dos cirurgiões plásticos engana-se. Ano passado, 30 mil cirurgias plásticas foram realizadas em adolescentes, o que equivale a 10% do total de cirurgias feitas nesse ano no País.

   Houve também um aumento na realização das cirurgias plásticas reparadoras – aquelas que são feitas em caso de trauma ou mal-formação congênita. Mas a explicação do cirurgião Ronan Horta para esse crescimento não é nada animadora: “A procura por essas cirurgias aumentou muito por causa da violência urbana e doméstica”. Atualmente, 40% das cirurgias plásticas feitas no Brasil são reparadoras e 60% são estéticas – embora o presidente da SBCP não goste do termo e afirme que esses procedimentos cirúrgicos são também “reparadores” da ação do tempo ou das conseqüências de uma gravidez para o corpo de uma mulher, por exemplo.

   O médico Ronan Horta afirma que o custo das cirurgias plásticas barateou porque hoje a maioria delas pode ser feita com anestesia local e o paciente passa apenas algumas horas no hospital, quando não é operado na própria clínica do cirurgião. Além disso, ele explica que muitos médicos já parcelam o pagamento das cirurgias para seus pacientes.

   No entanto, o cirurgião adverte que o preço não pode ser a única preocupação na hora de escolher um cirurgião plástico. “Tem gente fazendo cirurgia plástica sem ser especialista. Tem até dentistas fazendo isso”, denuncia. “É preciso certificar qual o cargo que o médico ocupa na SBCP antes de marcar sua cirurgia com ele”, ensina. Dá para verificar isso pela internet, acessando a homepage www.sbcp.org.

   Ronan Horta explica que para ser membro da SBCP um cirurgião precisa passar pelos seis anos de Medicina, dois anos de especialização em Cirurgia Geral, três anos de residência em Cirurgia Plástica –em serviço credenciado pela própria Sociedade ou pelo MEC –, passar por provas escrita e oral para tornar-se especialista e, se quiser o cargo de titular na Sociedade, precisa ainda apresentar uma monografia e passar em outro teste.

   O médico esclarece que mesmo os residentes, se já forem membros da SBCP, estão aptos a fazer cirurgias plásticas, mas precisam realizar esses procedimentos sob supervisão de outro médico. Em todo o Brasil, existem 3,2 mil cirurgiões plásticos inscritos na SBCP. Em Minas são 298 sócios, 84 titulares, 151 associados (especialistas), 46 aspirantes (que acabaram de terminar a residência) e 17 residentes.

   Depois de checar se o médico escolhido é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o candidato a entrar no bisturi deve observar também se a clínica em que ele vai ser operado apresenta boas condições: um bom corpo de anestesistas, equipe de monitoração, primeiros socorros, instalações adequadas e uma boa sala de recuperação. O cirurgião Ronan Horta explica que, se estiver insegura na avaliação desses quesitos, a pessoa pode pedir a orientação de um médico conhecido.

   Antes de fazer a cirurgia, o médico deve pedir exames de sangue (hemograma completo) e urina do paciente, que deverá passar também por uma avaliação com cardiologistas. E todos esses exames têm que ser recentes, feitos no máximo 30 dias antes da realização da cirurgia. 

   A maioria das pessoas que pretende fazer uma plástica gosta também de ver o “resultado” de alguma cirurgia que o médico escolhido tenha feito anteriormente. Foi por indicação de algumas amigas que Susan Lima, de 21 anos, procurou o médico Cléber dos Santos Teixeira para realizar sua cirurgia de mama. A modelo da agência Black – uma das maiores de Belo Horizonte – colocou próteses de 215 ml de silicone em fevereiro e está satisfeita com o resultado. “Eu era reta. Vi as cirurgias de duas amigas que fizeram com o mesmo médico e gostei muito. O resultado é perfeito”, comemora.

  
Medindo 1,77 m e pesando 52 quilos, Susan tinha – antes da plástica – medidas que até pouco tempo eram disputadíssimas nas passarelas do mundo inteiro. Mas, em tempos de Giselle Bündchen, ela garante que os seios novos fizeram o maior sucesso na agência de modelos para a qual trabalha. E os aplausos em casa também foram tantos que as três irmãs da modelo resolveram seguir a trilha de Susan e, como ela, colocaram próteses de mama.

   “Antes de fazer a cirurgia, tive muito medo de alguma coisa dar errada e do seio ficar grande ou pequeno demais”, admite. Susan fez sua cirurgia em um hospital de Nova Lima e quatro dias depois já estava trabalhando. “Daqui a cinco anos, eu aumento mais”, planeja. A cirurgia da modelo ficou em R$ 1,5 mil, incluindo as despesas com o hospital, e foi paga à vista pela mãe dela.

   A jornalista Paula Hercos, de 25 anos, também não estava satisfeita com o tamanho dos seios. Diferente de Susan, ela sempre achou que eles eram grandes demais. “Pesavam na minha coluna e eram desproporcionais ao tamanho do meu corpo”, recorda. Paula conta que desde os 14 anos queria fazer uma cirurgia plástica, mas o preço era muito alto e os médicos não parcelavam o pagamento.

   Por indicação do ginecologista, ela chegou à médica Mônica Etrusco, da Clínica Forma, e pagou R$ 1,5 mil, parcelados em seis vezes, pela cirurgia para diminuição do busto (o valor inclui despesas com a médica, anestesistas, enfermeiros, clínica e um lanche). “Tirei 500 gramas do seio direito e 350 do esquerdo”, revela. Paula foi operada de manhã e teve alta no fim da tarde. Por conta de uma fibrose, decorrente da cirurgia, a jornalista terá que ser operada novamente e vai pagar R$ 800,00 por essa correção (a despesa é apenas com a clínica, pois a médica não cobra por esse procedimento), que também serão parcelados em mais seis vezes.

   Em paz com os decotes, Paula agora diz que usa até blusa sem sutiã e já planeja também uma lipoaspiração na região do abdome. “Mas isso é para mais tarde porque por enquanto eu posso tentar resolver com exercícios físicos”, acredita.

   A professora Rosângela Sadi, de 48 anos, também diminuiu o tamanho dos seios, em 1995. E depois disso tornou-se uma aliada do bisturi. Há dois anos, ela fez uma cirurgia de face, com o médico Waldir Galvão, e já faz planos para uma lipoaspiração no abdome. “Fui operada de manhã, tive alta à tarde e gostei muito do resultado”, garante. Rosângela diz que o médico cobra R$ 2,4 mil pela cirurgia de face completa – “incluindo a papada” – e parcela o pagamento.
  

Emmanuel Pinheiro/ 1º Plano          

O dentista Dalton Figueiredo fez duas cirurgias 
plásticas, uma de implante de cabelo e outra 
de levantamento de pálpebra
 

   O dentista Dalton Figueiredo, de 58 anos, já fez duas cirurgias plásticas e garante que a maioria dos homens está se preocupando mais com a aparência. Em 1998, ele fez um implante de cabelo e diz que não se lembra de quanto pagou por ele. “Mas foi bem caro”, recorda. Como essa cirurgia é feita em etapas – “alguns fios sempre caem e você tem que fazer de novo até que eles não caiam mais” –, ele pretende fazer ainda outras vezes até que o resultado fique perfeito.

   Em agosto do ano passado, no entanto, ao invés de fazer novo implante capilar, Dalton decidiu pôr um ponto final em outros dois probleminhas que o incomodavam: a queda de pálpebra e um lacrimejamento no canto externo do olho. Fez a cirurgia de levantamento de pálpebra com o médico José de Oliveira Barra e, além de resolver um problema estético, ficou livre do lacrimejamento. Por essa cirurgia, feita na própria clínica com anestesia local, Dalton pagou R$ 800,00, parcelados em duas vezes. “Houve uma queda no preço. Eu já tinha dado uma olhada antes e era mais caro”, comenta.

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