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Daniela Mata Machado
Os
norte-americanos ainda são os campeões do bisturi, mas o Brasil já é o segundo país
que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. De acordo com as informações da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), somente no ano passado foram 300 mil
cirurgias feitas no Brasil em 1994 o número era três vezes menor. A explicação
para o crescimento dessa procura pode estar no preço: as cirurgias estão mais baratas
que antigamente (variam, em média, de R$ 2 mil a R$ 8 mil) e o pagamento pode ser
parcelado em várias vezes. Mas o presidente da SBCP em Minas, Ronan Horta, acredita que
há também um outro motivo impulsionando as pessoas para as clínicas dos cirurgiões
plásticos: Atualmente, a juventude e a boa aparência são pré-requisitos para
arrumar emprego e continuar empregado.
Isso talvez explique outro dado curioso do levantamento feito pela SBCP: o
crescimento da procura masculina pelas cirurgias corretivas. Em 1994, apenas 5% das
cirurgias plásticas realizadas no Brasil foram feitas em homens. Ano passado, o
percentual já havia crescido para 30%. O médico Ronan Horta conta que, a partir dos 45
anos, os homens começam a ficar tensos com a própria aparência. E garante:
Fernando Henrique, Paulo Maluf, Álvaro Dias, Figueiredo... todos fizeram cirurgia
plástica. Segundo ele, a cirurgia mais procurada pelos homens é aquela que levanta
a pálpebra. Em seguida, vêm a cirurgia de papada, a lipoaspiração de abdome e o
micro-implante capilar (para resolver o problema da calvície).
Entre as mulheres, as cirurgias de mama sempre foram as líderes na procura.
Só que, até bem pouco tempo, quase todas queriam diminuir o tamanho dos seios. E com a
recente mudança do padrão de beleza nacional o modelito Pamela
Anderson de uns tempos para cá anda fazendo o maior sucesso entre os brazucas , já
houve um crescimento de 30% na procura pelas cirurgias para aumentar as mamas através de
próteses de silicone. Além das cirurgias de mama, as outras campeãs na preferência
feminina são as lipoaspirações e lipoesculturas e as cirurgias de face.
Outro dado digno de nota: quem pensa que apenas as mulheres mais velhas vão
atrás dos cirurgiões plásticos engana-se. Ano passado, 30 mil cirurgias plásticas
foram realizadas em adolescentes, o que equivale a 10% do total de cirurgias feitas nesse
ano no País.
Houve também um aumento na realização das cirurgias plásticas reparadoras
aquelas que são feitas em caso de trauma ou mal-formação congênita. Mas a
explicação do cirurgião Ronan Horta para esse crescimento não é nada animadora:
A procura por essas cirurgias aumentou muito por causa da violência urbana e
doméstica. Atualmente, 40% das cirurgias plásticas feitas no Brasil são
reparadoras e 60% são estéticas embora o presidente da SBCP não goste do termo e
afirme que esses procedimentos cirúrgicos são também reparadores da ação
do tempo ou das conseqüências de uma gravidez para o corpo de uma mulher, por exemplo.
O médico Ronan Horta afirma que o custo das cirurgias plásticas barateou
porque hoje a maioria delas pode ser feita com anestesia local e o paciente passa apenas
algumas horas no hospital, quando não é operado na própria clínica do cirurgião.
Além disso, ele explica que muitos médicos já parcelam o pagamento das cirurgias para
seus pacientes.
No entanto, o cirurgião adverte que o preço não pode ser a única
preocupação na hora de escolher um cirurgião plástico. Tem gente fazendo
cirurgia plástica sem ser especialista. Tem até dentistas fazendo isso, denuncia.
É preciso certificar qual o cargo que o médico ocupa na SBCP antes de marcar sua
cirurgia com ele, ensina. Dá para verificar isso pela internet, acessando a
homepage www.sbcp.org.
Ronan Horta explica que para ser membro da SBCP um cirurgião precisa passar
pelos seis anos de Medicina, dois anos de especialização em Cirurgia Geral, três anos
de residência em Cirurgia Plástica em serviço credenciado pela própria Sociedade
ou pelo MEC , passar por provas escrita e oral para tornar-se especialista e, se
quiser o cargo de titular na Sociedade, precisa ainda apresentar uma monografia e passar
em outro teste.
O médico esclarece que mesmo os residentes, se já forem membros da SBCP,
estão aptos a fazer cirurgias plásticas, mas precisam realizar esses procedimentos sob
supervisão de outro médico. Em todo o Brasil, existem 3,2 mil cirurgiões plásticos
inscritos na SBCP. Em Minas são 298 sócios, 84 titulares, 151 associados
(especialistas), 46 aspirantes (que acabaram de terminar a residência) e 17 residentes.
Depois de checar se o médico escolhido é membro da Sociedade Brasileira de
Cirurgia Plástica, o candidato a entrar no bisturi deve observar também se a clínica em
que ele vai ser operado apresenta boas condições: um bom corpo de anestesistas, equipe
de monitoração, primeiros socorros, instalações adequadas e uma boa sala de
recuperação. O cirurgião Ronan Horta explica que, se estiver insegura na avaliação
desses quesitos, a pessoa pode pedir a orientação de um médico conhecido.
Antes de fazer a cirurgia, o médico deve pedir exames de sangue (hemograma
completo) e urina do paciente, que deverá passar também por uma avaliação com
cardiologistas. E todos esses exames têm que ser recentes, feitos no máximo 30 dias
antes da realização da cirurgia.
A maioria das pessoas que pretende fazer uma plástica gosta também de ver o
resultado de alguma cirurgia que o médico escolhido tenha feito
anteriormente. Foi por indicação de algumas amigas que Susan Lima, de 21 anos, procurou
o médico Cléber dos Santos Teixeira para realizar sua cirurgia de mama. A modelo da
agência Black uma das maiores de Belo Horizonte colocou próteses de 215 ml
de silicone em fevereiro e está satisfeita com o resultado. Eu era reta. Vi as
cirurgias de duas amigas que fizeram com o mesmo médico e gostei muito. O resultado é
perfeito, comemora.
Medindo 1,77 m e pesando 52 quilos, Susan tinha antes da plástica
medidas que até pouco tempo eram disputadíssimas nas passarelas do mundo inteiro. Mas,
em tempos de Giselle Bündchen, ela garante que os seios novos fizeram o maior sucesso na
agência de modelos para a qual trabalha. E os aplausos em casa também foram tantos que
as três irmãs da modelo resolveram seguir a trilha de Susan e, como ela, colocaram
próteses de mama.
Antes de fazer a cirurgia, tive muito medo de alguma coisa dar errada e
do seio ficar grande ou pequeno demais, admite. Susan fez sua cirurgia em um
hospital de Nova Lima e quatro dias depois já estava trabalhando. Daqui a cinco
anos, eu aumento mais, planeja. A cirurgia da modelo ficou em R$ 1,5 mil, incluindo
as despesas com o hospital, e foi paga à vista pela mãe dela.
A jornalista Paula Hercos, de 25 anos, também não estava satisfeita com o
tamanho dos seios. Diferente de Susan, ela sempre achou que eles eram grandes demais.
Pesavam na minha coluna e eram desproporcionais ao tamanho do meu corpo,
recorda. Paula conta que desde os 14 anos queria fazer uma cirurgia plástica, mas o
preço era muito alto e os médicos não parcelavam o pagamento.
Por indicação do ginecologista, ela chegou à médica Mônica Etrusco, da
Clínica Forma, e pagou R$ 1,5 mil, parcelados em seis vezes, pela cirurgia para
diminuição do busto (o valor inclui despesas com a médica, anestesistas, enfermeiros,
clínica e um lanche). Tirei 500 gramas do seio direito e 350 do esquerdo,
revela. Paula foi operada de manhã e teve alta no fim da tarde. Por conta de uma fibrose,
decorrente da cirurgia, a jornalista terá que ser operada novamente e vai pagar R$ 800,00
por essa correção (a despesa é apenas com a clínica, pois a médica não cobra por
esse procedimento), que também serão parcelados em mais seis vezes.
Em paz com os decotes, Paula agora diz que usa até blusa sem sutiã e já
planeja também uma lipoaspiração na região do abdome. Mas isso é para mais
tarde porque por enquanto eu posso tentar resolver com exercícios físicos,
acredita.
A professora Rosângela Sadi, de 48 anos, também diminuiu o tamanho dos
seios, em 1995. E depois disso tornou-se uma aliada do bisturi. Há dois anos, ela fez uma
cirurgia de face, com o médico Waldir Galvão, e já faz planos para uma lipoaspiração
no abdome. Fui operada de manhã, tive alta à tarde e gostei muito do
resultado, garante. Rosângela diz que o médico cobra R$ 2,4 mil pela cirurgia de
face completa incluindo a papada e parcela o pagamento.
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