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Remédio contra lentidão

  
Se o micro está devagar e desmemoriado, experimente fazer um upgrade, pois nem sempre comprar outra máquina é a solução adequada
  

Newton Cunha
ncunha@brhs.com.br

  
O velho micro, companheiro nas horas mais difíceis já não é mais o mesmo. Os programas não rodam como antes causando profunda irritação. Isso sem falar no disco rígido (HD), onde não cabe mais nem um bytizinho. Entrar no sistema operacional, editor de textos ou internet tornou-se um transtorno. Dá até para tomar um cafezinho, enquanto a geringonça entra em ação.

   Se tudo isso faz parte de seu dia-a-dia, a solução é simples: está na hora de realizar um upgrade. Traduzindo para o bom português, está na hora de melhorar a performance do micro, trocando ou acrescentando algumas “peças”.
Muitos usuários, leigos com certeza, acabam sendo traídos pelo famigerado marketing do mercado. Jogam fora o que consideravam velho e compram um computador novo. Gastam muito dinheiro e nem sempre resolvem o problema. Mas antes de gastar dinheiro com o upgrade ou a compra de novo micro, o usuário deve tomar algumas providências muito simples, ligadas ao sistema operacional. É provável que o problema não seja resolvido, mas não custa tentar.

   Vamos tomar o Windows como exemplo, uma vez que a maioria absoluta dos nossos leitores usa o sistema de Bill Gates. No menu principal, vá direto a “Acessórios” e em seguida em “Ferramentas do Sistema”. Chegamos ao cérebro do software, onde muitos problemas são detectados e resolvidos. Um disco rígido muito usado pode estar fragmentado, resultado do frenético instalar e desinstalar programas, transformando-o num verdadeiro queijo suíço, ou seja, cheio de buracos. Experimente desfragmentar o disco rígido. Com toda certeza a performance do micro vai melhorar consideravelmente. Outra alternativa é utilizar o “scandisk” que detecta erros no HD.

   A lentidão continua? Pois bem. A alternativa é mesmo a troca de alguns componentes. Vamos imaginar um usuário que tenha um micro com processador Pentium 133 MHz, com 16 Mbytes de memória RAM, HD com 1 Gigabyte. Uma configuração já obsoleta, mas muito utilizada no Brasil, um país onde máquinas antigas têm vida útil maior. 

   No nosso exemplo, o usuário deverá transformar o micro em um potente processador AMD K6 II 500 MHz, com 64 Mbytes de RAM, HD de 8 Gigas. Mas tudo deve ser feito por etapa, pois a troca de apenas um dos componentes poderá resolver a questão, levando-se em consideração os objetivos do usuário.
Comecemos pelo disco rígido, o equipamento responsável pelo armazenamento dos programas e arquivos. Os HDs tiveram sua capacidade de armazenamento aumentada vertiginosamente nos últimos anos, acompanhando o desenvolvimento do mercado de software. Mas muitos usuários ainda possuem discos de 1 Giga, muito pequenos para o tamanho atual da maioria dos programas, verdadeiros engolidores de memória. 

   E quando o HD está superlotado, o micro, mesmo com um processador relativamente rápido, fica muito lento. A solução seria a troca por um HD de pelo menos 6 Gigabytes para que o micro ganhe uma sobrevida de pelo menos dois anos. No nosso exemplo, o usuário substitui o velho HD de 1 Giga por um com 8 Gigas. Na troca, vai gastar em torno de R$ 320,00. Caso não apresente setores danificados, o velho HD ainda poderá ser utilizado no mesmo micro.

   No exemplo citado, a troca apenas do disco rígido não acarreta muitas mudanças, principalmente porque a intenção do usuário é rodar programas mais pesados como Windows 2000 e games de última geração. Neste caso, é necessária a troca por um chip K6 II 500 MHz da AMD, que custa aproximadamente R$ 160,00. Os 16 Mbytes de memória RAM do velho micro não poderão ser aproveitados, pois são do padrão EDO com 72 vias. Um novo lote padrão SD RAM com 168 vias custarão outros R$ 160,00. 

   A troca, tanto do processador como da memória RAM obrigam o usuário a tomar outras decisões importantes na hora do upgrade. Uma nova placa-mãe deverá ser adquirida. Neste caso, existem dois caminhos distintos. O primeiro é a aquisição de uma placa “onboard”, que é mais barata por ter poder de expansão bem mais limitado, apesar de já vir com placa de fax, vídeo, som e até placa de rede incorporada. Custa em torno de R$ 250,00. É bom lembrar que a nova placa possui poucos slots de expansão.

  
Para não passar por este problema, o upgrade poderá ser feito com uma placa-mãe que não seja “onboard”. As melhores placas custam em torno de R$ 300,00 mas têm maior poder de expansão e melhor qualidade.

   O upgrade não se resume à troca do HD, processador e memória RAM. Também poderão ser trocados ou mesmo agregados outros componentes. Dentre eles está a memória da placa de vídeo, responsável pelo poder de processamento de imagens. Se o objetivo é curtir ao máximo os detalhes dos melhores games, vale mais a pena a aquisição de uma placa aceleradora de vídeo.

   Também pode ser trocado o drive de CD-ROM para aumento da velocidade da transmissão de informações do CD para o processador. Outro item importante é a placa de fax/modem. As mais rápidas são as com velocidade de 56.600 kbps em se tratando de linhas telefônicas normais. No caso de aquisição de novos serviços como ISDN ou ADSL, placas específicas devem ser adquiridas. Os preços variam de R$ 110,00 a R$ 300,00.

   É importante frisar que, se tantos componentes foram trocados, muitas vezes valerá mais a pena a aquisição de um novo microcomputador. Mas cuidado com preços tentadores que aparecem nas promoções. Com toda certeza, componentes como drive de CD-ROM, fax, HD são de qualidade inferior, o que deixam o micro com preços irresistíveis.

   Um micro com componentes de primeira linha custa em torno de R$ 2,5 mil. Micros com componentes genéricos e com placas “onboard” saem por menos de R$ 1,5 mil, uma economia que nem sempre é vantajosa. “Na minha opinião, o upgrade ainda é a melhor saída para o usuário que precisa melhor performance da máquina, pois a troca de um ou dois componentes poderá acarretar uma significativa melhoria no processamento, solucionando o problema e prorrogando a vida do micro por mais algum tempo”, observa o diretor da Giganet Informática, Fernando Alexandre.

   O diretor da Campello Informática, Edgard Cardoso Neto, baseado nos preços tentadores do mercado, desaconselha o upgrade. “O usuário troca um componente aqui outro ali e quando percebe já gastou o mesmo que gastaria na compra de outro micro. Os preços caíram e a opção por um micro novo é o melhor caminho”, opina.

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